Início Gerais Cotidiano “SEM SALÁRIO, SEM TRABALHO”: ATO DEFENDE DIREITOS DOS TRABALHADORES DA VIAÇÃO PRESIDENTE

“SEM SALÁRIO, SEM TRABALHO”: ATO DEFENDE DIREITOS DOS TRABALHADORES DA VIAÇÃO PRESIDENTE

Foto: João Pedro Justino

João Pedro Justino
Especial para o Notícias Gerais

Nesta sexta-feira (26), estudantes e a União Sindical – formada pelo Sindicato da Indústria Têxtil (SinTêxtil), Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sintras), Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação (SindUTE) e Sindicato dos Metalúrgicos (SindMetal) – promoveram uma manifestação em apoio aos trabalhadores da Viação Presidente.

Desde março, os 276 funcionários da viação trabalham sem saber se vão receber. Em junho a empresa acertou parte dos atrasados, mas segue devendo dois meses para os 66 funcionários que estiveram na ativa entre abril e maio.

A situação se agrava para os 210 funcionários afastados nos meses de abril e maio e encaixados no programa de auxílio do Governo Federal para empresas.  O grupo não recebeu o mês de março, férias, o percentual de 30% do salário dos meses de abril e maio, e o pagamento do mês de junho.

Foto: João Pedro Justino

O ato começou às 9h na via que dá acesso à viação. Os manifestantes protestaram pacificamente e caminharam com carro de som e bandeiras até a porta da garagem, onde o ato se encerrou, às 10h40. 

“Além de não pagar seus trabalhadores. Essa empresa intimida e ameaça quem questiona a situação” disse a professora da rede pública de São João del-Rei, Janaine Carvalho Ferreira.

“Essa empresa que no carnaval estava com os ônibus super lotados, essa empresa que ganha muito dinheiro na cidade, é a mesma empresa que não paga trabalhadores”, afirmou o metalúrgico Jordano Carvalho dos Santos.

No início de junho, mais precisamente no dia 5, o gerente da empresa, Gustavo Ferreira, confirmou, em entrevista ao Notícias Gerais, que a diretoria estava buscando empréstimos em bancos.

“Este mês resolve, porque deu entrada já […]. (O banco) falou 20, 30 dias, então este mês chega a solução. E o dinheiro não é só para pagar funcionário, é pra pagar os fornecedores também, porque a gente está todo atrasado”, informou Ferreira.

Na ocasião, estava presente também Bruno Viegas, advogado da empresa. Ele, por sua vez, apontou outros caminhos para obtenção de recursos. “Tem alguns outros processos que a gente tem crédito pra receber também. Agora, essas pessoas vão ter dinheiro pra pagar essa quantia? Muito difícil”, ressaltou.

Uma opção seria receber um débito de R$248 mil da Prefeitura de São João del-Rei. No entanto, a viação não pode receber recurso público por estar com dívida ativa com a União – sem Certidão de Débito Negativa (CND).

Solidariedade entre os trabalhadores

Além do ato, o grupo de sindicatos já distribuiu cerca de 20 cestas básicas para funcionários da viação Presidente que estão com dificuldade de garantir comida na mesa. Segundo o presidente do SindMetal, Gilberto Cardoso, a iniciativa solidária surgiu para atender trabalhadores da Melt Metais e Ligas.

“Tinha criança que não tinha copo de café e um biscoito pra fazer a refeição matinal. Daí nos movimentamos para arrecadar e doar alimentos” informa Gilberto.  Ao todo a ação já distribuiu cerca de 120 cestas básicas no período da pandemia. 

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores dos Hospitais Laboratórios e Consultórios Médicos e Odontológicos de São Joao Del-rei (Sintras), José Raimundo, informou que a assessoria jurídica do sindicato está a disposição dos funcionários da Presidente.

Segundo ele, o caminho judicial já foi traçado em outras experiências bem sucedidas do Sintras. “O (advogado) tem experiência em fazer isso. Entra com um pedido de sequestro de bens até que seja realizado o pagamento. Já fizemos isso com Hospital das Mercês e deu certo”, garante.

A manifestação não contou com a participação do Sindicato dos Transportes Rodoviário de São João del-Rei (Sintrorei). “Nós já estamos com ação na justiça e as coisas já estão se resolvendo”, informou por WhatsApp a presidente do Sintrorei, Sarita Pasarelli. Ela também atentou para as questões sanitárias. “Nem deve haver aglomeração devido à pandemia, é muito perigoso”, justificou.

Foto: João Pedro Justino

Opinião dividida: ato na rua ou #FicaEmCasa?

“Fica em casa quem pode, as manifestações são válidas sim! Enquanto os empresários tiram umas ‘férias’, os trabalhadores morrem de fome”, diz o comentário de Francisco Mendes, em post que divulgava a chamada da manifestação, na fanpage do SindMetal.

Já Tereza Nascimento atenta para a prevenção e cuidados recomendados para enfrentar a pandemia. “Não é hora de fazer manifestação não. É hora de ficar em casa. A Santa Casa e o Hospital já têm doentes demais. Vamos fazer manifestação depois do coronavírus. Fiquem em casa se não querem ficar doentes!”, comentou na mesma postagem.

Durante o ato, os manifestantes fizeram uso de máscaras, evitaram aglomerar e usaram álcool em gel constantemente.

Nesta sexta (26), a reportagem entrou em contato com o gerente da Viação Presidente, Gustavo Ferreira. Ele chegou a responder o Notícias Gerais, mas até a finalização da edição desta matéria, às 9h20, do dia 27/6, não enviou respostas às solicitações encaminhadas.

Sem licitação

A Viação Presidente opera sem licitação desde 2017. No dia 18 de junho, a Prefeitura de São João del-Rei prorrogou o decreto que permite seu funcionamento até 31 de dezembro de 2020. 

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