

Maura de Nazareth *
Ontem, uma vizinha me mandou uma mensagem dizendo que, tirando a ansiedade, estava tudo bem com ela e perguntou como eu estava. Respondi imediatamente que “tudo bem”, eu já havia me acostumado.
E de fato me acostumei. Após 120 dias de isolamento social, praticamente sem sair de casa, eu me acostumei.
É impressionante como o ser humano é capaz de se adaptar nas mais diversas situações. Somos seres altamente adaptáveis. E isso é bom… decorre do nosso instinto primirico que é a sobrevivência. Somos todos, sem exceção, sobreviventes nesse mundo – que nós espíritas, chamamos de provas e expiações.
Mas nem precisa ser espírita ou mesmo ter qualquer religião para concordar que o que mais enfrentamos em nossas vidas são provas e, passando por elas, certamente expiamos algo, pois saímos mais fortes e mais leves. Quanto maior o desafio, maior é sentimento de força e leveza que se faz depois da superação.
Tanto é que, por ora, enfrentamos uma prova mundial. Enfrentamos juntos: todo o planeta o mesmo problema. A mesma situação difícil, emaranhada e ardil que é essa pandemia do vírus da Covid-19.
Mas estamos passando por ela… E vai passar!
Outras provas podem até vir, mas certamente, quando este momento estiver superado, estaremos mais fortes e leves. Em paz. Talvez prontos para a nova era que aguarda a Terra, ainda que demore um pouco e que venham outras provas… Quem sabe.
O importante é saber o agora. E não está fácil. Sabemos. Cento e vinte dias sem – praticamente – sair de casa, sendo bombardeado em inúmeras informações que só aumentam a ansiedade e a angústia, sofrendo com a perda de entes queridos, com a possibilidade de poder ser “o próximo”, empregos sendo perdidos, empresas falindo, profissionais da saúde enfrentando todos os dias, cara a cara a real possibilidade de morte e convivendo com ela, políticos se bombardeando e fugindo do que devem fazer, pelo medo ou a incompetência em administrar a maior crise que já vivemos.
Não está sendo fácil. Mas estamos nos adaptando até a isso tudo. E se, pararmos para pensar, antes de tudo isso começar a vida também não era tão fácil, certamente muito mais que agora, mas nós reclamávamos do mesmo jeito, nos angustiávamos da mesma maneira e, da mesma maneira, sobrevivíamos.
Vamos sobreviver a isso tudo… apesar de que uma imensa parte de nós será colhida mortalmente por esse vírus, mas não antes de lutar com todas as suas forças, que também é uma superação: a da alma.
Então mais uma vez.
Vivendo um dia de cada vez… uma prova por vez… nos adaptando às diversas situações novas que descortinam a nossa frente, chegaremos lá, ainda que não saibamos onde e como é esse lá.
- É juizforana e mora em Brasília (DF).