

André Frigo
Notícias Gerais
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, Fevereiro e Março
Ando sentindo muita falta de abraços. De encontrar alguém, de trocarmos um abraço afetuoso, sem medo de contágios e infecções. Um abraço como o que minha comadre Adelaide ensinou um dos meus filhos a abraçar, com força suficiente para mostrar o quanto a pessoa que o recebe é querida. Um abraço confortador. Um abraço que traduz toda a emoção que se sente ao encontrar uma pessoa querida.
Alô, alô, Realengo
Aquele Abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele abraço
A vontade de abraçar é igual a essa do Gilberto Gil: é de abraçar uma torcida inteira. E já que estaríamos abraçados com quem identificamos, vamos aproveitar soltando o grito, cantando até ficar rouco. Aquele abraço espontâneo, no companheiro de arquibancada, de sofrimento e de alegria.
Chacrinha continua
Balançando a pança
E buzinando a moça
E comandando a massa
E continua dando
As ordens no terreiro
Ou um abraço em alguém que você encontra de forma inesperada, seja em um show, em uma festa ou na noite – depois de garrafas e mais garrafas de cerveja. Um abraço naquela pessoa que se tornou sua melhor amiga durante um porre e que depois caiu no esquecimento durante a ressaca. Ou melhor ainda, um abraço fraterno em quem enfrentou todos as bebedeiras e as ressacas com você.
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha
Rio de Janeiro
Pode ser abraço de um desconhecido que, por um motivo que nunca será explicado, decidiu que você era merecedor de tal honraria. Ou um abraço gostoso daquela pessoa que a vida inteira está ao seu lado e cujo abraço possui o dom de te confortar. Tem abraços que são como se estivessem nos embalando e tem som de canção de ninar.
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho palhaço
Alô, alô, Terezinha
Aquele abraço!
Quem sabe um abraço há muito ensaiado, apertado, com as mãos dando tapas calorosos nas costas. Ou um tanto silencioso, murmurando sentimentos que alimentaram a vida até aqui. Talvez um abraço sorridente de quem te encontra após vencer uma batalha, um jogo, a disputa por estar vivo.
Alô, moça da favela
Aquele abraço!
Todo mundo da Portela
Aquele abraço!
Até um abraço suado, sufocado durante um desfile de bloco de carnaval ou provocado por um gol marcado em uma partida de futebol que decidia o campeonato mundial de peladas. Pode ser um abraço torto de quem ainda está aprendendo a abraçar. Só não pode ser fraco, tímido, de quem tem medo de abraçar.
Todo mês de Fevereiro
Aquele passo!
Alô Banda de Ipanema
Aquele abraço!
E se fosse aquele abraço fraterno? De quem dividiu sua história, suas tristezas e suas glórias. Aquele abraço que confirma a irmandade, que evoca lembranças e alegra o cotidiano? Abraço do amigo que se transformou em irmão e do irmão que sempre foi seu amigo.
Meu caminho pelo mundo
Eu mesmo traço
A Bahia já me deu
Régua e compasso
Imagino um abraço ritmado, cadenciado pela emoção do reencontro. No momento em que não existirá restrição para algo tão básico e fundamental em nossas vidas. Um abraço rotineiro, como café da manhã em família, sem fim para acabar. “Abraço pão com manteiga” ou “arroz com feijão”… básico e gostoso, que tal?
Quem sabe de mim sou eu
Aquele Abraço!
Pra você que me esqueceu
Rum!
Melhor de tudo seria um abraço com todos os braços que nós pudéssemos alcançar. Abraço onde os corações ficam juntos, de frente um para o outro e batem no mesmo ritmo da emoção. Abraço que seja um grito de liberdade e de vitória. Abraço sem máscara, sem medo e sem tempo para acabar. Abraço infinito como o gostar.
Aquele Abraço!
Alô Rio de Janeiro
Aquele Abraço!
Todo o povo brasileiro
Aquele Abraço!
Aquele abraço para Gilberto Gil e seus 78 anos de muita música e arte.