

Redação
Notícias Gerais
A microrregião de São João del-Rei já registrou, pelo menos, 13 profissionais da área de saúde infectados pelo novo coronavírus. São onze no município sede e dois em São Tiago, informados nesta terça (9). A confirmação desses casos atestam que a doença avança para o interior de Minas Gerais e expõe o lado dramático de quem trabalha na linha de frente de combate a Covid-19.
São Tiago: paciente com Covid-19 levou à testagem dos profissionais
Os dois casos mais recentes, ocorridos no Hospital São Vicente de Paula, em São Tiago, foram descobertos após os funcionários da instituição serem submetidos ao teste rápido.
Segundo fonte do Notícias Gerais, que prefere não ser identificada, os profissionais realizaram o teste rápido no hospital, após um paciente ser confirmado com a doença – primeiramente em um teste rápido e, em um segundo momento, também no PCR, o teste mais confiável.
Os dois profissionais estão em quarentena domiciliar e não apresentam qualquer sintoma, conforme cita a fonte.
SJDR: onze casos entre funcionários da Santa Casa
Na noite de domingo (7), a administração da Santa Casa de Misericórdia, por meio de nota, indicou que onze profissionais de saúde da unidade já foram infectados pelo novo coronavírus.
Durante contato feito pelo Notícias Gerais, o atual provedor da instituição, o médico Carlos Antônio Neves Teixeira, afirma que os infectados são profissionais de saúde da casa, ou seja, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos. Ainda segundo ele, as infecções ocorreram mesmo com o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI).
“Todos enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos têm todos os EPIs. Ninguém trabalha se não tiver o EPI. Nem o outro (colega de profissão) deixa, entendeu?”, comenta Teixeira, que completa: “tem a NR1, aquela norma regulamentadora do Ministério do Trabalho, que diz que se o empregado não tiver EPI não é obrigado a trabalhar”.
O médico declara que o atendimento da Santa Casa não será afetado se se o número de infecções entre profissionais se mantiver neste índice. Além disso, reforça que os profissionais diagnosticados com a doença não apresentaram sintomas graves.
Outro fator importante, indicado pelo provedor, para a estabilidade nos atendimentos é a redução do número de internações para cirurgias eletivas. ”Agora a grande coisa é que quem infecta, todos esses são poucos sintomáticos, não têm um sintoma tão expressivo… aí passa 14 dias, eles retornam e não pegam mais. Eles voltam com o IgG positivo. O problema é o IgM. O IgM dá positivo aí afasta. Eles ficam 14 dias afastados. Ai o IgM negativo e o IGG positivo o profissional volta”, acrescenta Carlos Antônio.
Tantos casos entre profissionais no mês de junho…
O que fica evidente é que mesmo os profissionais de saúde estando equipados e seguindo as normas de proteção, as infecções aumentaram de forma considerável no mês junho. Justamente no momento em que muitas das cidades da região anunciam a flexibilização do distanciamento social através do programa Minas Consciente, desenvolvido pelo Governo de Minas Gerais.
Mesmo levando em conta que o índice de profissionais da saúde infectados ainda é baixo comparando com outros estados, o fato é que a pandemia avança aceleradamente para o interior de Minas Gerais. Atualmente 522 cidades mineiras já tem pelo menos um caso da Covid-19 confirmado, o que representa um aumento de 15% nesses nove dias de junho.
Para muito além dos números, existe a tensão de quem está na frente de combate de uma doença que tem alto poder de infecção e que tem assustado o mundo.
A certeza de que eles precisam enfrentar todos os riscos para socorrer a população convive com a dúvida se serão ou não infectados. E se não levarão o vírus para dentro de suas casas.