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SABE QUAL FOI A CAUSA DO INCÊNDIO QUE TIROU A VIDA DE HELENA? O MACHISMO!

Helena Gava Pupo de Faria, vítima fatal do incêndio. (Imagem: Redes sociais)

Najla Passos
Da Editoria

Pelo menos uma mulher morre todos os dias em Minas Gerais, vítima do machismo. De acordo com o Atlas da Violência 2019, foram 388 feminicídios no Estado só em 2017. Na maioria dos casos, as vítimas têm relação próxima com os agressores – que são maridos, namorados, companheiros, familiares.

Mas há casos em que a violência foge do âmbito do lar e provoca outras vítimas. Foi o que ocorreu em Barbacena, neste domingo (15), quando um ex-marido ciumento causou a morte de uma criança de 4 anos e deixou outras 11 pessoas feridas, duas delas em estado grave.

Passo a passo

O sub-tenente da Aeronáutica José Ricardo Rossi dos Santos, 45 anos, chegou em casa por volta das 4h30 da madrugada de domingo, após curtir a noite nos bares de Barbacena. Se certificou de que o filho estava dormindo, colocou uma garrafa de álcool numa sacola e pegou a chave da nova casa da ex-mulher na mochila do adolescente. Partiu para lá disposto a fazê-la pagar caro por tê-lo abandonado.

Rossi estacionou seu Fiat Idea na Rua José Felipe Saad, no bairro São Geraldo, onde moram seus ex-sogros, que abrigam a ex-mulher e seus dois filhos desde a separação. Desceu do carro, colocou um boné, pegou a sacola com o álcool e caminhou de cabeça baixa até o prédio que, poucos minutos depois, estaria em chamas.

Na garagem do prédio, o sub-tenente identificou o carro da ex e ateou fogo nele. Ficou lá por exatos seis minutos, conforme comprovam as imagens feitas pela câmera de segurança instalada na casa de um policial que mora nas imediações. Depois, deixou o edifício, pegou seu carro e foi embora.

Pouco minutos depois, os moradores acordaram desesperados com o fogo que destruiu os 12 carros que estavam na garagem, afetou todos os 14 apartamentos do imóvel, causou ferimentos leves em nove pessoas, deixou duas delas gravemente feridas e resultou na morte da pequena Helena Gava Pupo de Faria, de 4 anos.

O sub-tenente da Aeronáutica, José Ricardo Rossi dos Santos. (Imagem: Redes sociais)

Investigação em tempo recorde

A Polícia Militar chegou no local por volta de 5h45 da madrugada, logo após ser acionada por vizinhos. “Depois de retirarmos as vítimas e isolarmos o local para que não houvesse mais riscos, iniciamos a investigação. E encontramos imagens intrigantes e instigantes”, conta o comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Sávio Pires.

Segundo ele, nenhum morador do prédio possuía Fiat Idea. Logo o Serviço de Inteligência da PM descobriu que o veículo era do ex-marido de uma nova moradora. E que este homem frequentava o local, para buscar e levar os filhos. Foi um pulo para chegar até o nome do procurado e levantar que se tratava de um oficial da Aeronáutica.

No início da noite, os policiais se deslocaram até a residência de Rossi. “Ele nos atendeu e foi cooperativo. Acabou confessando que queria causar um dano à esposa, já que ele havia contraído um empréstimo em nome dela e queria fazê-la pagar por isso”, explicou o tenente-coronel. Rossi foi preso em flagrante de delito e levado à Delegacia Regional de Barbacena.

Machismo e violência contra a mulher

Os especialistas em segurança pública apontam vários tipos de violência contra a mulher. As mais conhecidas são a física e a sexual, mas existem outras. Entre elas a violência patrimonial, que consiste em imputar prejuízos à mulher para provocar ou reforçar sua dependência do companheiro.

Todas essas violências têm como causa o machismo, ainda muito arraigado no país e, especialmente, em Minas Gerais, que é apontado como o 4º Estado do Brasil mais violento para a mulher. De acordo com o Atlas da Violência 2019, 388 mulheres foram assassinadas em Minas Gerais em 2017. No Brasil, foram 4.936 vítimas de feminicídio no mesmo ano.

Prerrogativas militares

Rossi não foi levado à cadeia comum. Está detido na Escola Preparatório da Cadetes do Ar (Epcar) aguardando a Justiça decidir se transformará sua prisão temporária em preventiva, ou se lhe concede a liberdade provisória, até o julgamento.  “Como ele é militar, ficará sob custódia da Aeronáutica”, explicou o chefe da 13ª Delegacia da Polícia Civil, Carlos Capistrano.

Ele disse que ratificou a prisão em flagrante por crime de incêndio com dolo direto (intencional) e homicídio tentado e consumado com dolo eventual (sem a intenção). “Como trata-se de violência doméstica, o caso foi passado à Delegacia da Mulher, que terá 10 dias para concluir o inquérito”, afirmou.

Segundo ele, agora, a Polícia vai ouvir todos os moradores do prédio e outras testemunhas consideradas relevantes. Mas o caso está praticamente concluído. Além das evidências recolhidas pelo trabalho de inteligência da PM, há a confissão do acusado.

Violência doméstica

O comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar ressaltou a importância das mulheres se manterem atentas às violências praticadas no âmbito doméstico que, em casos como este, pode extrapolar os limites do lar e prejudicar inocentes, como a menina Helena, vítima do incêndio.

Segundo ele, a PM possui um serviço de patrulha de prevenção à violência contra a mulher, que vem apresentando excelentes resultados no acompanhamento de casos problemáticos. “Nossa patrulha visita as famílias inscritas no programa para acompanhar a evolução dos casos”, explicou.

O programa, criado em 2012, já acompanhou 550 famílias de Barbacena. Atualmente, 20 estão inscritas. Se a mulher se sentir ameaçada, deve acionar imediatamente a PM pelo 190.

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