

Wanderson Nascimento
Notícias Gerais
Em seu livro “Mídia e Jogos Vorazes – Os meios de comunicação como (trans)formadores sociais” (Editora: A Arte da Palavra), a jornalista, pesquisadora e professora da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Deborah Vieira, discute de que modo os meios de comunicação podem manter ou transformar regimes sociais e políticos, a partir de aproximações entre a ficção distópica, pensada pela autora da sequência “Jogos Vorazes” Suzanne Collins, e a realidade.
O livro se originou a partir de seu trabalho de conclusão de curso da graduação em Jornalismo na UFSJ, por meio do qual Deborah explica que pode enxergar na distopia de Collins, muito da nossa realidade e dos jogos de poder e interesse por trás dos usos dos meios de comunicação.
Por meio de sua pesquisa, Deborah também associou o conceito de necropolítica e sua representação em “Jogos Vorazes”, com a realidade vivida atualmente. “Não é muito diferente, apesar de as vezes essa política da morte estar mascarada por trás do não acesso a meios e condições básicas de sobrevivência, justiça e igualdade, que também levam à morte”, explica, pontuando também sobre a dicotomia que é produzida pela internet.
Ela afirma que em “Jogos Vorazes” há uma visão um pouco mais positiva sobre o uso das redes, as quais compara aos “assaltos televisivos” do filme, os quais permitem que a voz dos rebeldes chegue a mais pessoas.
“A internet e suas diferentes plataformas, que abrem espaços para vozes à margem dos centros de poder e da sociedade, é a mesma que potencializa a disseminação de fake news, desinformação e discurso de ódio”
– pontua Deborah Vieira.
Ela ainda destaca que, se os meios tradicionais também representavam a “velha política” ou política tradicional, desgastada pelos casos de corrupção e crises; os novos meios passaram a representar – em 2018, por exemplo, com o uso massivo das mídias sociais na campanha eleitoral – o “novo”, o diferente, um contato mais próximo, sem mediadores e sem maiores gastos, “algo que casa com o próprio discurso assumido pelos candidatos antissistema, como (o governador mineiro Romeu) Zema (NOVO) e (o presidente Jair) Bolsonaro (Ex-PSL e atualmente sem partido)“.
Comparação com as mídias digitais
Sobre a comparação de “Jogos Vorazes” com o uso das mídias digitais, Deborah indica que a obra traz uma série de associações possíveis com a realidade: em especial, quanto a forma como os meios de comunicação tradicionais são distribuídos em nosso país, sob o poder de poucas famílias, que têm pouca diferença, impedindo uma pluralidade de vozes, gerando uma visão quase unificada da realidade.
Por outro lado, ao observar os meios de comunicação que emergem nas redes, por exemplo, percebem-se novas vozes e pessoas conquistando espaços e levantando questões, dando visibilidade aos movimentos sociais, a realidade que vivem, coletivos de mídia alternativos – como os rebeldes fizeram na estória contada em “Jogos Vorazes”.
“Sabemos que ainda é desigual a força entre essas formas de informação, mas só de existirem esses espaços, vemos mudanças na sociedade e na própria cobertura na mídia tradicional”
– acredita a jornalista e escritora.
Estudos sobre a participação das mulheres na política
A estudiosa revela que continua a estudar essa relação entre a mídia e os processos sociais, mas agora com o olhar voltado para a política – em especial, para a participação das mulheres na política.
“Espero em breve poder voltar a aplicar todos os conceitos aprendidos também em produtos culturais. Acredito que esse seja um caminho que pode aproximar mais facilmente às pessoas, a comunidade em geral, da academia e as pesquisas desenvolvidas dentro das universidades”, comenta.
Uma possível solução contra as fake news
Por fim, perguntada sobre uma possível solução para reduzir ou mesmo amenizar a disseminação de fake news, um problema que se potencializou com a popularização e a portabilidade do acesso à internet, Deborah pontua que não se trata de algo novo, a novidade é a velocidade com que elas se proliferam nas redes, como vírus.
“Acho que ainda iremos vivenciar disputas de narrativas permeadas pelas fake news, mas acredito também no diferencial do jornalismo que é a apuração. Mas, infelizmente, quanto a isso sou um pouco pessimista”, declara.
A pesquisadora afirma acreditar muito no poder da Educação – em especial, da Educomunicação – que contribua com as pessoas quanto ao recebimento das informações de forma crítica e que as estimulem a buscar mais informações em fontes seguras, “em vez de acreditar em algo sem antes checar se é verdadeiro, e pior, repassar isso como se fosse verdadeiro”.
“Como diz Ismar de Oliveira Soares: ‘educar pela comunicação e não para a comunicação’. Acho que esse é o caminho”, finaliza.
Autora de outros livros, crônicas e capítulos
Deborah Luísa Vieira dos Santos é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Em 2020, tornou-se mestra em Comunicação e Sociedade, pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde atualmente cursa o segundo ano de doutorado. Atualmente, ela atua como docente substituta no Departamento de Comunicação Social da UFSJ.
A pesquisadora também tem outras publicações, como um romance publicado de forma independente, em 2017, chamado “Pássaro Livre”; a crônica “A primeira estrela”, presente na Antologia Academia de Heroínas da Vida Real (2020), pela Dellirium, e a crônica “Bonita e inteligente”, no livro “Escreva como uma Mulher 2”, pela A Arte da Palavra, que saiu este ano.


Como trabalho acadêmico é o seu primeiro livro solo, mas Deborah tem outras publicações como capítulos de livros. Em breve, a dissertação de mestrado da jornalista também deve ser publicada em formato de livro.
Serviço
O livro está em pré-venda até o dia 2 de agosto, por este link.

