Início Gerais Cotidiano VETERANO DE SJDR MORRE AOS 98 ANOS E LIVRO IMORTALIZA MEMÓRIAS NA...

VETERANO DE SJDR MORRE AOS 98 ANOS E LIVRO IMORTALIZA MEMÓRIAS NA 2ª GUERRA: MEDO E SAUDADES

Redação

Aos 98 anos, morreu na última terça (21), o último combatente de guerra de São João del-Rei, Ivan Esteves Alves. Mas parte da memória dele sobre a experiência em campo de batalha, na 2ª Guerra Mundial, na Itália, imortalizou-se através do livro-reportagem do jornalista Emanuel Reis, 23: “Eu não sou herói: memórias de guerra do último veterano de São João del-Rei”.

O livro está disponível para venda em diversas plataformas, confira aqui, pouco mais de um ano depois se ser apresentado pelo autor como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Com a presença do personagem principal, que assistiu à banca.

Foi na faculdade de jornalismo, 7º período, que Emanuel, tendo de fazer um trabalho de fotografia, resolveu registrar a guerra. Era interessado no assunto desde criança. O primeiro livro que comprou foi “A Menina que Roubava Livros”.

Sendo assim, Emanuel conheceu senhor Ivan, veterano, morador do bairro Segredo e já viúvo da dona Geralda, sua esposa a vida toda. Após o ensaio fotográfico, teve a ideia de contar a história dele. “Não, ele não se apegou à ideia de que era um herói. Sentia medo e a guerra para ele não era prazerosa”.

Na apuração dos fatos, Emanuel teve acesso a fotos e cartas, que o combatente escreveu para familiares e Geralda, na época namorada dele. O entrevistado pediu para não expor totalmente seus guardados, lembranças de um tempo em que teve de deixar para traz tudo que mais amava para servir o Exército, do qual já era sargento.

No dia 22 setembro de 1944 embarcou, em um navio, no Rio de Janeiro, entre 5.239 brasileiros, convocados para guerra.

Chegando na Itália, onde ficou por cerca de 1 ano, comandou 3 soldados e era também auxiliar de informações o que o tirou do campo de batalha, uma parte do tempo. Sendo assim, não se feriu, não matou e não morreu, mas correu riscos próximos, principalmente quando tinha ataques.

Idoso, conservador, contido, Ivan aceitou voltar nesse passado e disso nasceu o livro de memórias. Lembrou que, quando voltou da guerra, foi muito aclamado. Mas se sentia um homem comum, diante de uma imposição da vida e do ofício – ir para a guerra – que ele cumpriu, como alguém com carne, osso e sentimentos.

A capa é ilustrada por Isabelle Capanema Maciel, estudante de arquitetura e artista. Emanuel mudou-se para Ouro Preto, onde trabalha em um startup de educação, Universidade do Intercâmbio.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui