

Kamila Amaral
Notícias Gerais
O Governo de Minas Gerais prevê o pico da pandemia da Covid-19 no estado para esta semana, mais especificamente, para próxima quarta (15). A previsão é embasada em estudos estatísticos e epidemiológicos. No entanto, desde sábado (11), a macrorregião de saúde Centro-Sul voltou para a onda branca do programa “Minas Consciente”, na qual está liberado o funcionamento dos comércios considerados de baixo risco, além dos serviços essenciais.
A flexibilização do comércio aumenta o fluxo de pessoas nas ruas, o que torna as medidas adotadas pelo Estado, no mínimo, contraditórias. “Então, eles (Governo do Estado) têm uma previsão de pico… para o dia 15/7. Ao mesmo tempo, a gente teve um avanço de ondas. Por isso, eu digo que é meio contramão. Se está previsto um pico, o que deveria ter sido que feito, na minha opinião, era não ter avançado”, opina a secretária de Saúde de Santa Cruz de Minas, Rita Aguiar Barbosa.


(Foto: arquivo pessoal)
Quanto mais se avança na flexibilização do comércio, maior é o entendimento da população de que a situação está estabilizada e demanda menos cuidados. “E é o contrário… para que a gente consiga avançar, o comércio possa retornar, a atividade econômica retome… a gente precisa, primeiro, que as pessoas se conscientizem do papel delas”, afirma Barbosa.
Sobre a situação em Santa Cruz de Minas, a secretária de Saúde conta que a cidade desenvolveu uma cartilha, que explica o que os comércios que estão abertos na onda branca do programa mineiro precisam fazer e quais medidas de segurança precisam adotar para estarem abertos neste momento. O grande empecilho, no entanto, tem sido a adesão das pessoas a esses processos.
Analisando dados coletados na barreira sanitária de Santa Cruz de Minas, a administração municipal percebeu que, apesar de pequeno, o município é bastante movimentado.
Em cinco dias, analisados, 38 pessoas de diferentes cidades – sem contar moradores de São João del-Rei e Tiradentes – e até mesmo outros estados, passaram pela cidade, o que preocupa quanto a circulação de pessoas.
“Quem está atrapalhando a abertura do comércio agora são pessoas que poderiam evitar sair de casa ou, quando forem, tomar as medidas de segurança corretas. Só sair no momento de necessidade mesmo, mas as pessoas ficam com essa preocupação de ‘Está liberando. Então, é vida normal. E não é’”, salienta a secretária.
Outra preocupação era com o alinhamento das ações da macrorregião de saúde. Por isso Rita analisa que a medida adotada pelo Tribunal de Justiça, de impedir que os municípios flexibilizem o comércio por conta própria, é benéfica. “Não adianta Santa Cruz de Minas criar infinitas propostas de enfrentamento e as cidades vizinhas não, para avançar teremos que ser juntos”, sentenciam.
Um exemplo de como essa medida impede discrepâncias nas ações municipais é o caso de São João del-Rei. A administração municipal precisou revogar o decreto em que estabelecia o programa “São João del-Rei Consciente” e liberava o comércio para funcionamento, seguindo diretrizes próprias.


A vereadora da Câmara Municipal de São João del-Rei, Lívia Guimarães (PT) afirma ver com preocupação as posições assumidas pela prefeitura. “As decisões referentes ao enfrentamento do problema não podem ser tomadas de forma unilateral. E já que a prefeitura optou inicialmente por aderir ao ‘Minas Consciente’, nada mais justo que se respeitasse o escalonamento feito pelo Estado”, opina.
Já o prefeito de São Tiago, Denilson Reis (PSDB), não demonstra confiança na previsão estadual para o pico da pandemia. “Isso porque dependemos essencialmente da sociedade, do comportamento da população, então, eu creio que essa expectativa pode ser frustrada”, avalia.


Reis também não acredita que a mudança de ondas da macrorregião Centro-Sul vá impactar muito o aumento de número de casos confirmados na região. “Teremos um pequeno volume de negócios que serão reabertos a partir da onda branca. Na verdade, quando retornamos para a onda verde foi algo incompreensível, um erro por parte do Governo Estadual”, defende o prefeito.
Para ele, o comportamento da sociedade, com relação a pandemia, mudará muito pouco daqui para frente, já que quem tem consciência da gravidade da doença e está se protegendo, e protegendo aos outros – e quem não tem “não vai se conscientizar de um dia para o outro”.
O chefe do Executivo de São Tiago considera que todos os gestores públicos já fizeram o que era possível com relação a preparação do sistema de saúde para lidar com a pandemia.
“Agora precisamos ficar atentos à saúde do trabalhador, à saúde emocional dos gestores públicos e gestores da Saúde… e continuarmos unidos, dialogando com o objetivo de atuarmos juntos, dia após dia, no enfrentamento dessa pandemia”, finaliza.