

Najla Passos
Notícias Gerais
Além de todos os desafios pertinentes à interiorização da pandemia do novo coronavírus, os 51 municípios da Macrorregião Centro Sul de Saúde ainda têm que lidar com um problema extra: o atraso do Governo de Minas Gerais no repasse das verbas para manutenção do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), administrado pelo consórcio de saúde formados pelas prefeituras da região.
Segundo a secretária-executiva da Macrorregião Centro Sul de Saúde, Ormesinda Barbosa Salgado, a dívida acumulada do Estado com o consórcio dos municípios já soma R$ 2.889.750,92. E isso porque, esta semana, houve o repasse dos valores atrasados de dezembro do ano passado. “O total era ainda maior”, afirma.
Para prestar o serviço essencial de atendimento de saúde na região, o Samu possui 324 funcionários, entre profissionais de saúde, motoristas de ambulância e gestores. A secretária-executiva acrescenta que o consórcio realizou concurso público para a contratação de funcionários, mas ainda não pode convocar todos os aprovados. “Sem recursos, não temos como pagar as verbas rescisórias dos funcionários contratados, para então chamar os concursados”, esclarece.
A preocupação é tanta que os prefeitos temem não conseguir manter o padrão do atendimento necessário. “Nós já vendemos as ambulâncias antigas, já remanejamos verbas, mas temos medo que o serviço acabe precarizado, especialmente nestes tempos de pandemia”, alerta o prefeito de São Tiago e ex-presidente do Samu da Macrorregião Centro Sul, Denilson Reis (PSDB).
Segundo ele, o Samu é financiado por um contrato tripartite, que engloba um repasse de 25% do orçamento total pelos municípios da Macrorregião, 55% pelo Governo do Estado e os 20% restantes pelo Governo Federal. “Além de não repassar o percentual de 55% do orçamento do Estado, o Governo de MG ainda retém parte do recurso federal, que não chega para o Samu”, esclarece.
Reias afirma que o problema persiste desde 2019, quando ele administrava o consórcio. “Nós mobilizamos as associações de prefeitos, os deputados estaduais, chegamos a nos reunir com o governo Romeu Zema [NOVO], apresentamos proposta para parcelamento da dívida, mas até agora não temos sequer previsão de recebimento dos recursos. O governo nos escuta, admite a dívida, mas não diz quando vai pagar”, afirma.
Sem respostas
A reportagem do Notícias Gerais solicitou informações acerca da dívida à assessoria de comunicação do Governo de Minas Gerais, no final da tarde de terça (9), mas até o fechamento desta matéria, na tarde desta quarta (10), não obteve respostas.