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EX-TESTEMUNHA DE JEOVÁ EXPÕE DIFICULDADES DE SAIR DA RELIGIÃO E SER EXPULSA DE CASA

Foto: Arquivo pessoal

Kamila Amaral
Notícias Gerais

Bárbara de Abreu Freitas foi batizada como Testemunha de Jeová aos 13 anos de idade, decidiu sair da religião aos 16 e somente agora, aos 26, se sente confortável para contar sua história. Natural de Varginha, no sul de Minas Gerais, ela foi batizada na Igreja Católica ainda bebê. Seu primeiro contato com as Testemunhas de Jeová ocorreu por volta dos quatro anos de idade, quando sua mãe se casou com um ex-membro da religião.

O padrasto de Bárbara veio do Chile e, após o estabelecimento da nova relação, a família decidiu adotar a religião e se mudar para o estado de São Paulo.

Em sua participação no quadro “PAPO CÉTICO”, do canal do YouTube do professor Daniel Contijo, que foi ao ar no último dia 17, Bárbara explicou que as Testemunhas de Jeová não realizam o batismo enquanto os membros ainda são bebês, já que a criança deve manifestar interesse no batismo. “Eu posso dizer que eu acreditei de verdade nisso, não foi nada que me obrigaram a fazer durante a minha adolescência”, declara, em entrevista ao Notícias Gerais.

Três anos depois, no entanto, a história mudou. Aos 16 anos, no auge da adolescência, todas as proibições impostas pela religião passaram a incomodar a jovem. Bárbara revela que seus pais foram muito rígidos com ela nessa fase e que se recorda de passar muito tempo de castigo.

Na época, a família controlava muito a adolescente e seu padrasto era um “fiscalizador”, nas palavras da própria Bárbara. “Olhava meus cadernos, agendas. Tudo que eu mexia na Internet ele descobria, eu não podia ter rede social que ele ficava sabendo e desativava”, relembra.

Desassociada

O processo de saída da religião não ocorreu sem grandes embates. “Quando eu fui entregar a carta dizendo que queria abandonar a religião eles disseram que eu não podia decidir, que eu era muito nova”, relata.

Bárbara conta que estava ciente da diretriz da religião que estabelece que membros das Testemunhas de jeová não podem ter contato com ex-membros. “Quando eu sai eu passei um mês em Minas, quando voltei eu não tinha mais lugar na casa dos meus país”, expõe.

Por pressão externa a religião, os pais de Bárbara pagaram o aluguel da jovem enquanto ela cursava o último ano do ensino médio. “Meu pai biológico me mandou uma pensão. Então, isso me ajudou também a ter essa coragem de falar: ‘vou sair’”, conta.

Em entrevista ao NG, Bárbara ressalta que ter autonomia financeira é o principal conselho que ela dá aos jovens que a procuram contando que querem sair da religião. Outros direcionamentos dados por ela são: estabelecer relação de amizade com pessoas mais velhas e procurar acompanhamento psicológico assim que passarem por esse processo.

“A minha visão de mundo quebrou e eu perdi, de uma vez, meus pais e Deus”, desabafa Bárbara.

Agnóstica

Após a ruptura com a família e a religião, Bárbara voltou para Minas Gerais e se formou em Filosofia. A graduação foi iniciada em Lavras e concluída na Universidade Federal de São João del-Rei. Ainda morando na cidade dos sinos, ela atualmente é mestranda em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e bolsista de um projeto, de uma universidade dos Estados Unidos, que trata de Filosofia Antiga com foco em Filosofia da Religião.

“O meu estudo de Filosofia teve alguns respingos de algumas coisas da minha história. Um exemplo, na religião a gente não tinha a crença nesse conceito de “alma”. Aí, desde a minha graduação, eu fui pesquisar o que era alma, porque era um conceito que me intrigava bastante”, anuncia.

Durante muito tempo Bárbara tentou se manteve afastada dos debates sobre religião e mesmo agora, que se sente mais confortável para falar e pesquisar o assunto, mantém isso somente no campo profissional.

“Eu não me considero ateia, eu me considero agnóstica: não afirmo e nem nego. Não me afeta em nada”, afirma.

Ex-membros

Alguns anos após abandonar as Testemunhas de Jeová, Bárbara passou a fazer parte de vários grupos de ex-membros da religião. Para ela, contar sua história e ouvir as de outras pessoas traz um sentimento apaziguador, pois passa a sensação de “não estar sozinho”, apesar das singularidades de cada vivência.

Intolerância

Apesar das dificuldades enfrentadas por conta da religião, Bárbara defende que tem o cuidado de não deixar sua história e seu discurso serem utilizados para justificar ou legitimar a intolerância religiosa.

“Você ter a sua crença individual é uma coisa, agora você querer impor isso para outras pessoas, isso afetar a vida da sua família, afetar a convivência com outras pessoas, isso já é outro problema. É muito além de você acreditar em algo para você mesmo, o meu problema com a religião em específico é a parte institucional que ela manifesta, não a crença individual, mas a institucionalização da religião”, esclarece.

Para ela, contar sua história não é uma forma de estimular qualquer rancor ou repressão da religião, mas sim orientar os ex-membros ou pessoas que querem sair para que eles se sintam bem com suas escolhas.  

“É um trabalho meu, por exemplo, de entender psicologicamente que meus pais são felizes lá… eles gostam do que eles fazem. Se eu quero que eles me respeitem e me apoiem na minha escolha, eu também teria que respeitar a escolha deles, por mais contraditório que seja”, alega.

3 COMENTÁRIOS

  1. Por isso que sou Ateu, além do fato da religião ser apenas uma desculpa para oprimir o povo a falta de lógica de todas me afasta cada vez mais dessas tolices.
    Ser Ateu é ser livre e ter mais respeito pela natureza e pelo ser humano.

  2. Também já estudei a biblia com os tj. Não cheguei a me batizar , então, foi tranquilo sair. Sou ateia hoje em dia, mas entendo a importância de ter participado de algum a
    religião pra saber onde não quero voltar apesar de respeitar.

  3. Nasci no meio católico, convivi com proximamente de presbiterianos e Kardecistas. Convivi com outros evangélicos e de outras religiões. Assim como na política, vi que tem bons e maus. Hoje me considero agnóstico. Creio na força superior, na luz e paz, no Bem Supremo, que dá base para todas
    as religiões. Mas não acredito na maioria das regras criadas pelos religiosos, segundo seus interesses. A maioria está voltada em arrecadar $$ e dominar seus fiéis pelo medo. Deus é bom..é tolerante..é pacífico. Te liberta e não te prende. Creio em um Deus e em nenhuma igreja.

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