

Carol Rodrigues
Notícias Gerais
Autoridades de Saúde da região se reuniram em superlive do Notícias Gerais nessa terça (23) para discutir sobre medidas e cuidados para conter o avanço do novo coronavírus nas cidades da macrorregião Centro-Sul de Minas Gerais, no qual estão inseridas, por exemplo, São João del-Rei, Barbacena, Santa Cruz de Minas e outros municípios vizinhos.
O debate on-line foi mediado pela jornalista e diretora-executiva do NG, Najla Passos, e contou com a participação da Hérica Vieira Santos, superintendente regional de Saúde de Barbacena; Marcilene Dornelas, secretária de Saúde de Barbacena; Rita Aguiar Barbosa, secretária de Saúde de Santa Cruz de Minas e Ana Pimentel, professora de medicina da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Regressão de onda
Entre os pontos discutidos durante a transmissão ao vivo está a possível regressão da macrorregião Centro Sul para a onda verde do programa “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo”.
Atualmente, a região está na onda branca, na qual é permitido reabrir comércios considerados de “baixo risco”, como antiquários, lojas de armas de fogo e fogos de artifício, e de artigos esportivos.
No entanto, com o crescente aumento de casos de Covid-19, o Governo de Minas Gerais sinaliza uma possível regressão para a onda mais restritiva, na qual só estão autorizados a funcionar os comércios essenciais, como supermercados e farmácias. Conforme publicado pelo NG ainda nessa terça (23), não há perspectiva para a região avançar de onda.
Durante o encontro virtual, as convidadas discutiram sobre o aumento dos números dos casos de Covid-19 na região e a possibilidade de regressão. Para as secretárias de Saúde de Barbacena e Santa Cruz de Minas, Marcilene Dornelas e Rita Aguiar Barbosa, respectivamente, o principal problema não é a reabertura do comércio, mas sim o relaxamento do distanciamento social pela população.


Apesar delas serem secretárias de municípios com significativas diferenças territoriais, Marcilene e Rita concordam que a sinalização do governo mineiro para adesão à onda branca veio de forma precipitada. Elas defendem que a região devia ter ficado mais tempo na onda verde, para que houvesse conscientização e adaptação da população e dos comerciantes.
Com a reabertura de parte do comércio, as autoridades percebem muitos moradores relaxaram quanto as medidas de prevenção, entre elas, a recomendação de sair de casa só se necessário e evitar aglomerações. “Se nós tivéssemos tido força para mostrar que não era hora de aderir à onda branca de cara, nós não estaríamos nessa situação”, pontua a secretária de Barbacena.
Na visão da professora de Medicina, Ana Pimentel, a decisão mais prudente seria retroceder à onda verde. Segundo a médica, a reabertura parcial de alguns estabelecimentos acabou passando às pessoas uma falsa sensação de “normalidade”. “Para a população, os sinais estão muito confusos para tomar decisões cotidianas da vida”, comenta.
Decisões unificadas
No debate, ainda, as autoridades reforçaram a importância de que as decisões sejam regionalizadas. “A gente vem articulando para a unificação das decisões. O que um município faz, pode repercutir na assistência do outro, principalmente aqueles que não tem hospitais, não tem UTI”, enfatiza Érica Vieira Santos, superintendente regional de Saúde.
Além disso, ela também frisa que surtos de Covid-19 foram identificados em muitas cidades que fazem parte da macrorregião. É considerado um surto quando muitos casos de infecção são identificados em locais específicos, como empresas ou residências.
A superintendente cita um surto no município de Piranga: cerca de 27 idosos de uma instituição de permanência foram infectados pelo novo coronavírus. “Lá (na instituição) tem 70 idosos; se tivessem os 70 infectados, a gente não teria essa quantidade de leitos na macro para atendê-los”, analisa. Assim, argumenta que é importante que as cidades consigam unificar a decisões de combate à Covid-19, uma vez que, agora, elas se tornam ainda mais interdependentes quanto aos sistemas de Saúde.
Porém, Hérica Santos lembra que os municípios são autônomos para tomar suas próprias decisões e que a superintendência não pode interferir, exceto quando é determinado pelo Ministério Público, por meio de uma denúncia formal. O trabalho do órgão, portanto, tem sido de acompanhamento e aconselhamento.
Leitos disponíveis
Nem todas as microrregiões conseguiram, ainda, atingir a quantidade recomendada de leitos para tratamento da Covid-19. A micro de Barbacena foi a única a atingir a meta estabelecida.


De acordo com a secretária Marcilene, a cidade triplicou a capacidade assistencial, já que o município é referência também na macrorregião Centro Sul.
No entanto, não existe mais capacidade física e humana para expandir mais leitos na cidade. “(Se os casos continuarem crescendo), nós não vamos ter onde colocar e teremos que escolher quem vai respirar e quem não vai respirar”, completa.
Já municípios como São João del-Rei, Conselheiro Lafaiete e Congonhas ainda não têm a quantidade aconselhada de leitos hospitalares – clínicos e de Unidade de Tratamento Intensivo – para enfrentar a doença.


De acordo com Hérica Santos, a previsão é que novos leitos sejam habilitados – ou seja, recebam verba de custeio do Ministério da Saúde – na região nos próximos 15 dias. Ela, ainda, lembra que 20 leitos em funcionamento em São João del-Rei ainda não foram habilitados.
O retorno das barreiras sanitárias em Santa Cruz de Minas
Em Santa Cruz de Minas, uma medida adotada pela administração municipal é a reinstalação de barreiras sanitárias na entrada da cidade. Elas irão funcionar como ponto de apoio e fiscalização para pessoas que estejam entrando e saindo da cidade.
Mesmo não podendo, de fato, impedir o trânsito de pessoas no município, já que ele é está localizado em uma região de passagem entre outras cidades próximas, como Tiradentes e São João del-Rei, a intenção é “dar orientação, cuidar da pessoa, medir a febre e dar suporte. Porque não adianta nada a gente perceber uma pessoa com febre e não fazer nada”, explica Rita, secretária municipal de Saúde, ao ser perguntada durante superlive do NG.
Para ajudar a economia local, moradores que estão sem fonte de renda estão sendo contratados para trabalhar na barreira. A Prefeitura de Santa Cruz de Minas também disponibilizou um auxílio emergencial municipal para as pessoas que estão com os comércios fechados e não podem trabalhar devido às medidas de isolamento social.
A prefeitura reabriu as inscrições para solicitar a ajuda municipal. Saiba como participar clicando aqui.