

Redação
Notícias Gerais
Na semana que o portal Notícias Gerais completa um ano no ar, convidamos a estagiária de Jornalismo, Kamila Amaral, e as ex-estagiárias Caroline Santos Teixeira e Ana Laura Queiroz. Ela puderam relembrar quais foram as pautas mais marcantes que puderam apurar no período de atuação junto a equipe de reportagem do NG.
Confira!
Kamila Amaral


“Nós cansamos de falar sobre como 2020 foi um ano difícil e atípico, mas, ainda sim, parece que não conseguimos fugir dessa definição. Em alguns momentos durante esse ano eu duvidei que as pessoas tenham realmente entendido o significado da palavra ‘atípico’. Outra palavra cujo significado real passou batido pela maioria das pessoas foi ‘essencial’.
Quando estamos passando por uma pandemia, não importa o quanto algo seja importante – individual ou coletivamente – o ‘essencial’ será restrito a algumas poucas coisas diretamente ligadas à questão de vida ou morte.
Eu atuo no Notícias Gerais desde o lançamento do site, escrevi sobre diversos assuntos durante ‘esse ano maluco’. No entanto, quando parei pra pensar em um momento marcante, não consegui escolher uma matéria ou entrevista apenas. Rodeada pela indecisão, optei por falar sobre um assunto no qual eu me debrucei muito durante esse ano: a educação durante a pandemia.
Ainda no primeiro semestre do ano, eu entrevistei a então coordenadora da subsede do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), de São João del-Rei, Janaine Ferreira. Uma das coisas que ela me disse foi que sucatearam a educação – pública, essencialmente – durante anos para que agora ela se tornasse essencial. Não foram essas as palavras exatas, mas eu me lembro de pensar ‘tão verdade’.
Eu ainda escreveria diversas matérias sobre a educação durante esse ano, falaria sobre a adoção das práticas de ensino remoto em Minas Gerais, sobre casos específicos envolvendo a Secretaria de Educação de São João del-Rei, sobre a divergência na forma de pensamento entre Governo e Sindicatos na hora de classificar “essencial” e eu escreveria também a matéria especial publicada pelo NG no Dia dos Professores.
O mais interessante foi observar como, mesmo nesse ano tão atípico, a demanda dos profissionais na data continuava a mesma: valorização. Por isso, as minhas memórias especiais são os professores defendendo a valorização da categoria – e do ensino público em geral – para além do dia 15 de outubro e, de extra, uma reflexão sobre como o ensino remoto pode ampliar a desigualdade entre a educação pública e privada.”
Caroline Santos Teixeira, ex-estagiária


“Posso dizer, com convicção, que todas as matérias que escrevi para o Notícias Gerais me impactaram em algum grau, me fizeram refletir ou me causaram uma mistura de sentimentos. Tentei passar para a escrita de modo mais imparcial possível, mas seria ingênuo da minha parte afirmar que consegui ter 100% de êxito nisso.
Entre as reportagens que passam pela mente agora posso citar o ato realizado pelos produtores de evento em Barbacena. A primeira vista, podemos ter uma visão negativa sobre a manifestação – afinal, é inconcebível o fato de ter pessoas realizando festas em plena pandemia. Porém, ao conversar com os organizadores, os relatos me comoveram, me fizeram ir contra toda a narrativa que eu vinha construindo na minha cabeça. Não diria que mudei totalmente minha opinião, mas percebi a complexidade do assunto sobre o qual estava escrevendo.”
Ana Laura Queiroz, ex-estagiária


“[…] Foi em uma destas tardes, entre uma pauta e outra, que a redação recebeu os documentos que comprovavam a condenação por violência doméstica do então líder de governo na Câmara Municipal de São João del-Rei, Stefânio Pires (PSL). Foi então que Najla Passos, diretora-executiva do NG, e eu iniciamos o trabalho de checagem dos documentos e de entrevistas com os envolvidos no caso. Embarquei, nesse momento, em minha primeira experiência com o jornalismo investigativo e político.
A primeira Reunião Ordinária da Câmara Municipal, após a publicação das matérias, foi na quarta-feira (9). Neste dia, eu tinha somente duas pautas: a cobertura da reunião e a tentativa de ouvir aqueles que ainda não tinham se manifestado.
Os corredores da Casa Legislativa estavam lotados. Todos os vereadores, assessores, inúmeros cargos de confiança da prefeitura, secretários municipais e o próprio prefeito estavam ali.
Me dirigi, então, ao gabinete do líder de governo, Stefânio Pires, e pedi uma entrevista. De pronto, o vereador me cedeu seu tempo e começamos a conversa gravada. Em poucos segundos, a entrevista que inicialmente seria sobre sua condenação por violência doméstica tomou outros rumos.
O vereador passou a descrever mais um esquema de compra de votos, ao qual ele próprio também estaria envolvido. Desta vez, o atual presidente da Câmara, Igor Sandim (Pode), que até então não estava envolvido no toma lá dá cá, teve seu nome citado. Logo em seguida, ao NG, ele negou sua participação no esquema e enfatizou sua oposição ao governo.
Com autorização para a gravação e com o áudio em mãos, tínhamos mais uma denúncia e o terceiro escândalo político em menos de quinze dias. Após apuração, a matéria foi ao ar no dia 10 de dezembro.
Escrever sobre os bastidores da minha primeira reportagem desta natureza é gratificante e reforça, para mim, o quanto sou apaixonada pela profissão que escolhi seguir. Reforça que o jornalismo tem um compromisso real com a manutenção da democracia e que o acesso à informação sobre nossos governantes é um direito da população.
Em um país como o Brasil – o 6º país mais perigoso do mundo para jornalistas, segundo a Unesco – e que o silenciamento da imprensa, hoje, é quase institucional, fazer parte de uma redação independente é um ato de coragem cotidiano. Mas quer saber? Vale a pena.”