

Carol Rodrigues
Notícias Gerais
No Pontilhão, em Barbacena, uma manifestação foi organizada nesta sexta (10) para protestar contra as políticas de enfrentamento ao novo coronavírus do presidente Bolsonaro (sem partido) e também do governador de Minas, Romeu Zema (NOVO).
Mais de 150 cruzes simbolizando as vítimas fatais da Covid-19 e cartazes de protesto contra o governo foram colocados em um canteiro de uma parte movimentada da cidade. A ação foi organizada pela Frente Popular pelos Direitos de Barbacena.


Pouco tempo depois, no entanto, as cruzes foram derrubadas.”Dizem que foi uma cidadã, uma mulher que passou e derrubou, mas a gente achou estranho porque são muitas cruzes”, comenta Aline Maia, que faz parte da Frente.


Em vídeo postado nas redes sociais, uma mulher aparece pisando nas cruzes e são inseridas frases como “minha liberdade de expressão a quem trata a cidade como cemitério” e “vamos parar de aceitar calados as falácias da esquerda!!!”.
Desrespeito à liberdade de expressão
A Frente Popular pelos Direitos de Barbacena é formada por uma série de organizações e também por pessoas da sociedade civil. Filipe Luis dos Santos, diretor do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (SINPRO), que faz parte da Frente, diz que a derrubada das cruzes reflete o momento de intolerância que estamos vivendo.
“Uma manifestação como a nossa – que era pacifica, silenciosa – foi violentada, vamos dizer assim, porque ela não prejudicava ninguém, não atrapalhava passagem de ninguém”, diz Filipe dos Santos.
De acordo com o manifestante, o objetivo do movimento era passar uma mensagem, denunciar a falta de políticas públicas e prestar homenagem às vítimas e às famílias. “A gente entende isso como uma falta de respeito ao livre direito de manifestação que todo mundo tem, ela poderia se manifestar de outra forma, sem prejudicar a nossa”, finaliza.


Também fazem parte da Frente: Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUte), Sindicato dos Servidores da Educação Básica Profissional e Tecnológica (Sinafese), Sindicato dos Trabalhadores da Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Sinter), Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios de Minas Gerais (Sintect), Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro) e o Instituto Socioambiental das Vertentes.
O protesto
A ação e a data foram articuladas por movimentos populares de todo o país para que os protestos acontecessem ao mesmo tempo. A manifestação é “contra o governo que não está realizando atitudes necessárias para combater o Covid, para dar assistência à população, aos pequenos comerciantes, aos agricultores a ficarem em casa”, explica a manifestante Aline Maia.


Além das cruzes, três faixas foram penduradas com os dizeres: “Bolsonaro abandonou os pequenos empresários e comerciantes Brasileiros”, “Fora Bolsonaro, fora Guedes e sua política de empobrecimento do país!” e “A ‘gripezinha’ já matou mais de 70.000 pessoas no Brasil. Precisamos de governos responsáveis pela vida do povo”.
Retirada das faixas
A manifestante Aline Maia conta que alguns servidores da prefeitura foram até o local para retirar as cruzes mas que, após entenderem que era uma manifestação pacífica e que não atrapalhava a circulação de pessoas, desistiram.


Porém, os cartazes precisaram ser removidos. “Um fiscal orientou que a gente não poderia colocar as faixas, mas aí tiramos e estamos segurando”, diz Aline.
Segundo a Prefeitura, foi feita uma notificação para que os cartazes fossem retirados porque “de acordo com o código de postura não pode faixa em poste e em praças públicas”. A administração municipal diz, ainda, que o restante da manifestação não pode ser proibido, “o direito de livre manifestação é legal, garantido constitucionalmente”.