

Ana Laura Queiroz
Notícias Gerais
Ao fechar os olhos, caminhando pelas ruas de Prados nesta época do ano, quase se torna possível escutar o som das ruas cheias de gente e dos ensaios das baterias. e até mesmo visualizar as pessoas com sorriso nos rostos e fantasias coloridas. Mas, este ano, as imagens ficarão somente na memória. Por causa da pandemia de Covid-19, “este ano não vai ser igual aquele que passou…. “, como diz a marcha carnavalesca.
O Notícias Gerais escutou o veterano e amante do carnaval pradense, uma das folias mais famosas da região do Campo das Vertentes, Vinicius Fonseca e Silva, 67 anos. Ele é, inclusive, um dos fundadores da “União Consumidora de Álcool” – bloco carnavalesco da cidade, popularmente conhecido como UCA.
Tradição e a folia ininterrupta
Há 59 anos um dos blocos da cidade de Prados, União Consumidora de Álcool, sai às ruas para festejar o carnaval. Neste ano de 2021, por conta da pandemia, pela primeira vez, a bateria não levará alegria às ruas pradenses.
Vinícius Fonseca, sem perder o tom bem humorado, lamenta a primeira interrupção em tantos anos de história. “A história é muito bonita, mas se até o Rio de Janeiro parou (risos), porque Prados não pode parar?”.
O senhor estava presente desde o momento da idealização do bloco, acompanhou a primeira saída, assistiu a primeira e única vez que ganharam uma taça pela melhor alegoria e bateria e acompanha até hoje, com muito carinho, os desfiles.
“Férias o pessoal fica criativo”, conta com alegria ao trazer à tona as lembranças do dia em que ele e um grupo de amigos estavam sentados, de férias, e decidiram formar um bloco de carnaval. “O pessoal foi formando a turma, já falando de carnaval… Aí em 1962, já com o nome bloco da UCA, houve o primeiro desfile de rua”.
E assim, de acordo com Vinícius, teve início a longa trajetória do bloco pelas ruas da cidade.


História de gerações
“Em 1977, eu estava começando a trabalhar e eu estava entusiasmadíssimo, mas falaram que não tinha carnaval”, conta Vinícius. O bloco, neste ano, estava sem bateria e não tinha dinheiro para comprar instrumentos novos.
Até aquele ano a bateria era feita pelos próprios foliões, com materiais da própria região. Somente alguns instrumentos – tarol, tamborim, chique chique, agogô – eram comprados de outras cidades.
O veterano carnavalesco compartilha que a vontade era tanta de colocar o bloco na rua, que os integrantes do bloco não se deram por vencidos. Sendo lembrada como uma das histórias que mais marcou a trajetória da UCA, o grupo decidiu arrecadar contribuições com o que chamaram de “livro de ouro” – lista de colaboradores.
“A grana deu pra comprar uma bateria inteirinha e com couro de reserva, tarracha, tamborim… Tudo. Furava instrumento, a gente tinha outros. Cada instrumento que o pessoal recebia era uma farra, foi um dos dias mais gostosos da UCA.”
Os instrumentos ficaram guardados sob segredo por meses, para evitar que o bloco rival “Gato Preto” descobrisse que, ali, havia uma nova e potente bateria.
Rivalidade saudável
Todo carnaval há rivalidade entre os blocos, segundo Vinicius, “é uma rivalidade sadia, motivacional”.
Na cidade de Prados existem dois blocos já “senhores” de carnaval: UCA e Gato Preto. Desde os anos 1930 eles competem, mesmo sem prêmio, pelo melhor desfile. Para a diretoria da UCA, é um hábito cultural e que impulsiona os blocos para, cada vez mais, melhorar o carnaval pradense.
“É a essência do carnaval: essa rivalidade legal, sem ofensa, sem brigar, é uma questão cultural”, diz um dos membros da diretoria. Para eles, tudo é rivalidade: quem criou a melhor camisa naquele ano, quem tem a melhor e maior bateria, o melhor enredo, ou a melhor alegoria. “Tudo é motivo de festa”, completa.
2021: O ano sem carnaval
Sem carnaval por conta da pandemia, os planos são se preparar, se organizar economicamente e esperar o próximo ano de 2022. As expectativas para a diretoria do bloco é que seja um ano que, com todo o mundo novamente saudável, eles possam fazer o melhor carnaval da história.
“E a expectativa para o ano que vem é essa: a UCA faz 60 anos”, compartilha. O bloco se organiza em uma garagem alugada na cidade de Prados e, dali, vão iniciar os primeiros preparativos para a próxima folia. De acordo com o membro da diretoria, começarão os trabalhos em abril deste ano, quando decidirão o próximo tema do desfile.
Sem perder o bom humor ou clima carnavalesco, mesmo em tempos de pandemia, os entrevistados compartilharam de uma única certeza: a esperança de que, apesar da crise, o carnaval permanece vivo – hoje nas lembranças, mas em breve, nas ruas.
Boa noite. Ótima matéria, cheguei a me emocionar; meu pai foi um dos principais fundadores da UCA, mas infelizmente hoje tem Alzheimer. Porém a nossa história é muito além disso! O Vinícius (Toião) é um cara que adoro e prezo muito, mas tem muito mais história que isso, ele fez um resumo do resumo. A UCA é uma nação, uma grande família, não é a toa que são 60 anos de tradição. Faço questão de buscar nos meus arquivos a história toda e postar aqui nos comentários. A caminhada desse “bloco” é gigante e tem o envolvimento de muita gente, inclusive de grande parte da minha família, eu mesmo fui parte da bateia, já dancei na avenida e fui presidente por alguns anos (e tenho até uma tatuagem da nossa logomarca no ombro). A UCA É UMA GRANDE NAÇÃO E NÃO VAI MORRER NUNCA! Abraços e parabéns pela postagem, já compartilhei.
Vamos fazer uma nova matéria então contando mais um pouquinho dessa história? mande um email pra gente com seus contatos: redacao@noticiasgerais.net
Estamos aguardando e obrigada pelo comentário!