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PROJETO SOCIAL APOSTA NO ESPORTE PARA REDUZIR VIOLÊNCIA NO MENOR MUNICÍPIO DO PAÍS

Projeto Social aposta no jiu jitso para manter jovens e crianças longe da violência. (Imagem: divulgação)

Por Victor Zanola
Especial para o Notícias Gerais

O projeto social Guerreiros Unidos oferece jiu jitso totalmente de graça para a população de Santa Cruz de Minas, menor município em área territorial do país que já enfrentou altas taxas de criminalidade. De acordo com seu fundador, Alex Batista da Silva, o objetivo é afastar os jovens da violência e oferecer aos que já convivem com ela uma oportunidade de superação.

Ex-usuário de drogas, Alex chegou a traficar para manter o vício. “Quando eu vendia drogas, só queria o dinheiro das pessoas, sem olhar que estava destruindo o ambiente familiar de muita gente. Mas, a partir do momento que eu passei a frequentar a academia de jiu jitsu, eu comecei a pensar nisso. Então, de tanto que eu prejudiquei a comunidade, eu resolvi resgatar, na forma do jiu jitsu e do esporte que me salvou e está salvando várias pessoas”, destaca.

A academia Guerreiros Unidos surgiu em 28 de janeiro de 2007, em um contexto em que Santa Cruz de Minas figurava entre os municípios mais violentos do Brasil. A cidade é considerada o menor município brasileiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Cruz tem uma extensão territorial de 3,565 km2 e uma população estimada em 8.541 pessoas. 

Confira aqui “OSS, do pó nasce um campeão: um documentário sobre o poder do esporte em renovar vidas”, que conta a história do projeto social Guerreiros Unidos.

O Mapa da Violência 2008 indicava a cidade como a terceira colocada no índice de assassinatos de pessoas jovens, com idades entre 15 e 24 anos. O estudo mostrava também Santa Cruz como o 28° município com mais mortes por armas de fogo no Brasil e segundo em Minas Gerais, ficando atrás apenas de Betim.

Hoje, Santa Cruz de Minas não figura no ranking dos 150 municípios mais violentos do país, conforme o Mapa da Violência 2016. E o projeto Guerreiros Unidos contribuiu para este resultado. Com 13 anos de existência, é um exemplo da capacidade de transformação do esporte e da capacidade que os projetos sociais têm em mudar a realidade das comunidades carentes.

O projeto permite a participação dos seus alunos em campeonatos em Minas e até mesmo em outros estados e países. “Frequentamos várias etapas do campeonato mineiro, em Belo horizonte, etapas também de campeonatos municipais como São Tiago, Barbacena, Juiz de Fora, e as vezes do campeonato mundial. Então, procuramos participar sempre de vários eventos  e a galera que vai costuma trazer medalha sempre”, completou.

Além disso, toda repercussão do projeto levou Alex a ser convidado a dar aulas de jiu jitsu em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes, mas, segundo ele, o amor pelo projeto social foi um motivo para voltar para o Brasil. “Eu fui para Abu Dhabi para trabalhar, foi uma experiência muito boa, porque lá é o foco do jiu jitsu e eu trouxe várias técnicas diferentes para o meu projeto. Eu consegui ficar lá seis meses e só não fiquei mais porque eu sou muito apegado ao meu projeto e a minha família. Por isso eu resolvi voltar para dedicar mais aqui onde eu vivo na minha cidade perto da minha família e amigos”, conta.

Histórias de superação

O projeto social nasceu com o objetivo de evitar que outras pessoas passassem pelas mesmas experiências que o seu fundador. Com o tempo isso foi se concretizando e ajudando alguns alunos a superarem suas dores.

A faixa roxa Mariana Barbara da Silva Teixeira, 18 anos, conta que perdeu a mãe que tinha problemas com alcoolismo e foi no projeto social que ela se reencontrou, enxergando um novo objetivo de vida. 

“Minha mãe e a minha avó morreram cedo. Minha avó, eu perdi com 12 anos e a minha mãe, com 17. Eu vi ela morrendo. Foi um momento muito difícil, embora eu não tivesse tido muita convivência com ela, porque só fui morar com ela depois que minha avô morreu.  E era difícil. Eu chegava em casa, às vezes, a minha mãe não estava, às vezes ela brigava na rua e eu tinha que ser o peito dela, tinha que entrar no meio de qualquer briga dela”, relembra.

O faixa preta Daniel Otávio Silva dos Santos, 22 anos, explica como foi o seu processo de transformação por meio do esporte. “O jiu jitsu pra mim foi tudo, foi um divisor. Antes do jiu jitsu, eu ficava sempre brincando na rua até tarde da noite, sempre desrespeitava, sempre tinha problema com o Conselho Tutelar por brigar na rua. Quando eu entrei aqui fui vendo a disciplina e fui mudando de comportamento. Virei um garoto disciplinado e graças a ajuda que eu tive de todos aqui eu consegui chegar a faixa preta”, relembra. 

Daniel conta o aprendizado conquistado no projeto social foi fundamental em todos os aspectos da sua vida. “Graças ao jiu jitsu eu tive disciplina em todas as áreas da minha vida. Hoje em dia eu faço faculdade, tenho o meu trabalho. A academia me deu base para seguir a minha vida, graças a academia hoje eu não estou nas drogas, não bebo, não fumo”, explicou.

Mãe de dois alunos e também aluna da academia, Layse Resende Cipriano, destaca a mudança no comportamento dos filhos. “Os dois eram muito agitados, era muita energia acumulada. Depois que eles entraram aqui, eles mudaram totalmente. Ficaram mais calmos e até para conversar ficou melhor”, afirma. 

O filho mais velho, Gabriel Cipriano Geronimo, também ressalta a mudança de hábitos. “Eu gosto de treinar, quando eu não treinava eu só ficava o dia inteiro deitado agora eu pratico esporte”, acrescenta.

O projeto social Guerreiros Unidos oferece jiu-jitsu de graça para crianças, jovens e adultos.
(Imagem: Divulgação)

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