Início Gerais Brasil REGISTROS DOS PACIENTES DO HOSPITAL COLÔNIA DE BARBACENA SERÃO DIGITALIZADOS

REGISTROS DOS PACIENTES DO HOSPITAL COLÔNIA DE BARBACENA SERÃO DIGITALIZADOS

Foto: Compha / Divulgação

Najla Passos
Notícias Gerais

Após tombar os livros de registros de entrada dos pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico de Barbacena (Compha) trabalha agora para viabilizar a digitalização do acervo histórico.

Segundo o presidente do Conselho e diretor de Cultura da Prefeitura do município, Tarcísio Ferreira Pereira, o objetivo é resguardar ainda mais os documentos que preservam a memória do polêmico modelo de tratamento psiquiátrico adotado no século passado.

“O Compha está negociando com o Arquivo Municipal Professor Altar Savassi (Ahmpas) para que o mesmo possa realizar a digitalização e com isso proteger mais ainda as informações”, afirma ele, que acredita que o trabalho possa ajudar a jogar luz em dúvidas históricas acerca do período.

É o caso, por exemplo, da polêmica acerca do número real de pacientes que passaram pelo antigo manicômio. “Ainda não temos a informação precisa do número exato de pacientes registrados, mas é possível criar um banco de dados para digitalizar os dados e fazer o somatório”, avalia.

Volume de informações

De acordo com ele, o acerco se refere ao período de 1903 a 1970 e compreende um total de 108 livros: 31 deles referentes às mulheres indigentes, 44 sobre homens indigentes, 28 sobre homens indigentes do chamado “Departamento B” e sete referentes aos homens e mulheres pensionistas.

Nas páginas dos grandes tomos, constam informações diversas sobre cada uma das vidas que cruzaram os portões do antigo manicômio: nome, data de entrada, filiação (em alguns casos), estado civil, sinais físicos, fisionômicos e característicos, diagnóstico, data de saída e a razão da saída:  alta, evasão ou falecimento.

Atendimento aos pesquisadores

Segundo o presidente do Compha, o acervo já está em posse da Prefeitura de Barbacena, acomodado no pavilhão Antônio Carlos, no bairro Grocotó, onde funciona a Diretoria de Cultura da Prefeitura. Ficará disponível para pesquisadores, jornalistas e demais interessados. Entretanto, o acesso não é livre e automático.

“Devido às questões éticas, o acervo não fica à disposição para acesso de todos. Somente pesquisadores com os seus devidos projetos de pesquisa aprovados pela gerência de pesquisa e pelo comitê de ética em pesquisa da FHEMIG poderão realizar consulta aos registros”, esclarece ele.

Histórico do tombamento

O tombamento foi aprovado pelo Compha em reunião realizada no dia 3 de agosto e homologada posteriormente pela Prefeitura de Barbacena, por meio do Decreto 8717/2020.A iniciativa partiu do Compha,  como forma de proteção aos registros. Sendo que o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) já tinha a preocupação de guarda, preservação e restauração do acervo. Podemos dizer que foi uma iniciativa conjunta do Conselho de Patrimônio e a entidade”, explica Tarcísio.

Ele conta que os conselheiros foram recebidos pelo CHPB (nome do órgão que hoje abriga o antigo Hospital Colônia) de portas abertas, que já vinha a algum tempo buscando parcerias para preservação dos registros. “Em visita ao setor, percebemos que os livros não eram protegidos. A direção entendeu o tombamento como valorização do acervo”, avalia.

Memória dolorosa

O tratamento desumano dos pacientes do Hospital Colônia foi denunciado pela revista O Cruzeiro.
Foto Luiz Alfredo, 1961.

Sobre o modelo de tratamento psiquiátrico adota pela instituição, ele garante que não se diferenciava muito do praticado em outros lugares do mundo. “O modelo assistencial do Hospital Colônia era o mesmo em hospitais psiquiátricos do país e do mundo. Era a visão e a condução aceitas na época por toda a sociedade. Os familiares, comunidade e autoridades aceitavam as práticas assistenciais sem emitir nenhum senso crítico”, ressalta.

O presidente do Compha lembra que a mudança ocorre a partir da década de 1970, quando o psiquiatra italiano Franco Basaglia implantou a filosofia da reforma psiquiátrica, propondo assistência fundamentada em princípios humanitários.

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