Início Opinião Artigos ARTIGO: UM NOVO ESPAÇO PARA A REPRESENTAÇÃO DA HISTÓRIA DA TERCEIRA IDADE

ARTIGO: UM NOVO ESPAÇO PARA A REPRESENTAÇÃO DA HISTÓRIA DA TERCEIRA IDADE

Grace and Frankie (Imagem: divulgação / Netflix)

Rafaela Soeiro de Lanes *

A terceira idade é pouco retratada na história da cinematografia. As narrativas hollywoodianas só romperam com este padrão a partir da chegada das plataformas de streaming, que revolucionaram o modo de produção de conteúdo para consumo em massa. A necessidade de inovação permitiu que narrativas magníficas, como “Grace e Frankie” e “Método Kominsky”, chegassem à internet para abordar temas relevantes para a sociedade através da verdadeira realidade de uma faixa etária pouco representada como protagonista.

“Grace and Frankie” casa diretamente com uma frase dita há anos por Maria Bethânia: envelhecer é privilégio. Logo no primeiro episódio da renomada série da Netflix, os maridos da Frankie e da Grace assumem que são gays, têm um caso há vinte anos e pretendem se casar – por isso querem o divórcio. Com essa notícia, as duas, que não se suportam, precisam recomeçar a vida e vão aprendendo a lidar com as diferenças. E desse modo, a narrativa tem novos rumos a cada temporada, carregando principalmente a mensagem que a velhice não precisa ser triste e depressiva. “Sorte que eu não vou viver mais 30 anos”, diz Grace em determinado episódio. Assim, a série leva a refletir mais sobre o tempo, construindo discussões mais reflexivas sobre como duas protagonistas estão vivendo e a certeza da finitude.

Retratando a realidade masculina com um elenco fantástico, a série “O Método Kominsky”, protagonizada por Michael Douglas e Alan Arkin, também aborda uma divertida e bonita reflexão sobre o envelhecimento, a vida e a morte, além de tema intimistas e conjunturais. O enredo gira em torno de Sandy Kominsky, ator e professor de atuação, e Norman Newlander, agente. A narrativa guia a discussão sobre família pelos diálogos dos protagonistas, mostrando que, independente da composição e da relação, o envelhecimento é um tema difícil de lidar.

Numa análise mais profunda, as duas séries falam sobre o tempo e o tanto que nos falta, a fim de retratar como a sociedade lida com os que se foram e os que estão mais próximos de partir, pois conforme dito, certa vez, pelo sociólogo alemão Norbert Elias, “a morte é um problema dos vivos”.

Desse modo, esta representatividade e o debate sobre a vida e a morte vão assumindo espaços na Era Digital e proporcionando para a sociedade uma reflexão. Tanto “Grace e Frankie” quanto “O Método Kominsky” são séries que nos dão um pouco de esperança de que o futuro não precisa ser tão tenebroso assim, sentimento não muito fácil de extrair nos dias de hoje, especialmente em um programa de TV.

* É estudante de Comunicação – Jornalismo da UFSJ e produziu este texto sob a orientação do professor Paulo Caetano, durante a disciplina remota de Produção Textual.

O Método Kominsky (Imagem: divulgação / Netflix)

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