

Kamila Amaral
Notícias Gerais
Nesta semana, a Universidade Federal de São João del-Rei aprovou o Plano de Retorno Gradual às Atividades Presenciais, que prevê, em um primeiro momento, a retomada das atividades de ensino, pesquisa e extensão não adaptáveis ao modelo remoto. Contactadas pela reportagem, entretanto, entidades representativas divergem sobre a proposta.
Na avaliação do coordenador geral do Sindicato dos Servidores da UFSJ (Sinds), Denilson Carvalho, o plano aprovado é satisfatório, de modo geral, seguro e possível de ser implantado. Além disso, o cenário epidemiológico continuará a ser analisado e possíveis adequações podem ser feitas.
Segundo ele, é importante ressaltar que o plano não dispõe sobre um retorno indiscriminado das atividades presenciais, ou seja, não é um retorno das aulas teóricas, por exemplo, mas das atividades que não estão sendo desenvolvidas porque não se adequam ao modelo de ensino remoto.
Além disso, ele destaca também que, além do programa “Minas Consciente”, outros indicadores da situação sanitária precisam e foram levados em consideração na construção do plano, cuja comissão de elaboração contou com a participação de uma representante do Sinds-UFSJ.
“Tem outro ponto também que precisa ficar muito claro: aquele servidor, aquele terceirizado, aquele técnico, docente ou aluno que não se sentir confortável para o retorno a essas atividades não adaptáveis ao modo remoto que serão presenciais não precisam retornar, é facultativo”, esclarece Carvalho.
Nesse sentido, ele reforça que o Sinds-UFSJ estará monitorando e atuando no sentido de coibir qualquer tentativa de pressão ou possíveis casos de assédio moral da chefia aos servidores para que eles voltem ao trabalho presencial.
Mesmo que docentes, técnicos e terceirizados já estejam sendo vacinados, o sindicato sinaliza que se preocupa ainda com a vacinação de estudantes da universidade e defende que as aulas teóricas presenciais e o retorno definitivo das demais atividades só ocorra quando a pandemia da Covid-19 chegar ao fim e a maior parte da população estiver vacinada.
A construção coletiva do plano de retorno gradual das atividades presenciais na UFSJ é o principal ponto abordado pelo professor Alberto Tibaji, representante da Seção Sindical dos Docentes da UFSJ (Adufsj) na comissão que elaborou o plano no Conselho Universitário Consu. Ele foi, inclusive, relator da proposta.
“Foram 90 dias de trabalho da comissão, que contou com representantes de vários conselhos da universidade, representação dos sindicatos, do movimento estudantil e representação da comunidade externa, o que foi muito importante para nós”, afirma Tibaji.
Ele frisa que o plano estabelece o retorno apenas das atividades que não podem ser realizadas de maneira remota, por isso os cursos da área da saúde estão sendo priorizados.
“Eles poderão solicitar o retorno, mas a aprovação depende da avaliação da Prefeitura de Campus para saber se tem material de higienização e recursos humanos para poder garantir os protocolos de biossegurança”, informa.
Movimento Estudantil
No entanto, a satisfação com o plano não é unanimidade entre as entidades representativas da UFSJ. A diretoria executiva do Diretório Central dos Estudantes (DCE) avalia a aprovação do plano de retorno como apressada, precipitada e sem discussão com a base estudantil.
Além disso, aponta também que, mesmo que o DCE tenha tido representantes na comissão de elaboração do plano, isso não significa que ele reflete a opinião do mesmo, já que seu poder de voto não é absoluto.
Embora a aprovação do plano ainda não tenha sido discutida em assembleia estudantil, algumas preocupações do DCE são elencadas: entre elas, o funcionamento dos Restaurantes Universitários (RUs) e a falta de verba para aquisição de materiais de limpeza, uma vez que a universidade anunciou que não tem verba para se manter após o mês de outubro, devido aos cortes no orçamento.
“A gente tem essa grande dúvida em relação a como fazer um retorno presencial agora, sendo que nem todos foram vacinados (…) como que a gente volta, mesmo que por etapas, como que a gente aprova algo que a gente não tem orçamento para bancar?”, questiona a presidenta do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Raquel Camacho.
Sobre a priorização dos cursos da área da saúde, o DCE acredita que eles não são os únicos prejudicados nesse momento da graduação e que outros cursos da instituição – como Artes Aplicadas, Educação Física, Química, Biologia e outros – também dependem de aulas práticas.
“Apesar da gente saber que eles têm uma grade espiral, outros cursos também necessitam de disciplinas presenciais para formar”, ressalta Camacho.